quinta-feira, 25 de setembro de 2008

"Roxo", música de Evandro Correia

De vez em quando a gente se depara, meio por acaso, com algumas cançoes que caem imediatamente no nosso gosto; têm o poder de atingir fulminantemente a nossa particular estética musical, com sua melodia e sua letra.

Assim ocorreu hoje comigo, ao acessar o blog do Anderson, um blog de Vitória da Conquista. Buscava saber notícias de como andam as eleiçoes por lá. Além do fato, agradável, de saber que Guilherme está disparado na frente, me emocionou ter ouvido uma música que está lá postada.

Chama-se "Roxo", e é de um conquistense chamado Evandro Correia. Vale a pena escutá-la.

Clique aqui.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Um dia no Rastro de Madri - tralhas e liçoes

(o famoso "013")

("013" com Lope de Vega debaixo do braço e a cerveja na mao)

(tapas do El Capricho Extremeño)


Há umas semanas atrás, fui ao Rastro, a mais famosa feira popular de Madri, que se ergue sacrossantamente todos os Domingos pelas ruas do bairro La Latina, especialmente na Calle Ribera de Curtidores. Um mercado ao céu aberto onde se vende de tudo: roupas novas e usadas; livros novos e usados; sapatos novos e usados; estranhezas variadas, como pregos antigos, cadeiras velhas, pratos velhos, enxadas velhas, e toda sorte de bizarrices antigas.

De qualquer forma, é um lugar fantástico pra se encontrar personagens dos mais diferentes tipos e cores. E foi o que aconteceu nessa ocasiao.

Depois de muito andar, sentado numa pracinha, devorando umas “tapas” do famoso bar El Capricho Extremeño, eis que se me aproxima uma figura que, à primeira vista, era um simples “meoteiro”, desses que já têm os pes inchados de tanto beber. Achou que eu era árabe (coisa muito frequente aqui). Explicou que eu lhe fizera lembrar dos parentes distantes que viviam no leste da Arábia Saudita. Ele, na verdade, era marroquino, mas tinha esses tais parentes por lá.

Bom, bastou esse “approach” pra que se iniciara ali a mais interessante conversa que jamais podia esperar. Durante mais de 3 horas seguidas falamos de cinema, de história, de literatura, e até de matemática (eu, finalmente, entendi o significado do zero). História da dominaçao moura na Península Ibérica e o seu legado na língua, na arquitetura e na cultural em geral; a colonizaçao africana, em especial do Marrocos; a guerra civil espanhola; o terrorismo, a religiao islâmica....tudo passou ao crivo de sua análise e visao críticas.

Entrecortava a conversa, às vezes, com instantes de aparente absentismo, ausência, dizendo coisas típicas de ébrios. Nao obstante, conservava firme a linha fina, sutil e delicada que ainda o mantinha preso à lucidez.

Entre uma história e outra, tomava um tempo pra ir buscar uma cerveja, um cigarro, um pao...coisas que eram sempre repartidas com um estranho (também “borrachito”) que havia se incorporado ao papo.

Nenhuma palavra de si mesmo, de sua história, dos seus dramas, de sua vida, enfim. Nem uma sequer, nem mesmo o seu nome. “Me llamo como quieras tu que yo me llame”. Eu, para ver se arrancava essa informaçao, tentava irritá-lo, chamando-o por um nome diferente a cada instante: Mohamed, Ahmed, Omar, Samir, Mahmud.

“Chaval, un nombre es simplemente una sucesión de sonidos interconectados. Solo eso. Dame tu el sustantivo que crees que merezco o que, efectivamente, representa lo que soy”.

Diante do meu silêncio assombroso e conivente com o que acabara de ouvir, ele arremadou, rompendo com a sobriedade que lhe invadira: “....aunque me gusta que me llamen de 013”.

Antes que eu pronunciasse meu inevitável “por quê?”, ele interveio: “é o número do único documento que tenho: uma ficha na polícia”. E riu efusivamente.

E, assim, passaram as horas: o povo foi saindo, a praça se esvaziou, as barracas foram desmontadas e o pessoal da limpeza já lavavam as ruas. Era hora de me despedir de “013”.

Antes de me saudar, juntou todas as tralhas que trazia consigo (pra vender, claro! Afinal estava no Rastro), e deixou pra o caminhao do lixo recolher. Apenas ficou com.... a cerveja e o cigarro? Nao. Um livro. Aliás, um grande livro. E nao um “grande livro” qualquer, mas um “grande livro” do igualmente grande Lope de Vega!

A última imagem que tenho dele foi a dos gritos que começou a dar na direçao de alguém que o havia provocado/insultado. Descontrolado, enfurecido, cambaleante, repetia incessantemente o mesmo bordao, revelador da lucidez de sua loucura momentânea: “Para vivir no basta con tener cojones. Hacen falta razones.¡Joder!”

E lá fui eu, sisudo e introspectivo, em direçao ao metrô de Puerta de Toledo, com aquela frase ecoando na cabeça: “Para vivir no basta con tener cojones. Hacen falta razones”.

Por detrás de toda estranheza ou loucura de um homem, se escondem sempre a grandeza ou a pequeneza, a fortaleza ou a fraqueza, a alegria ou a tristeza, o prazer ou a dor, a transcendência ou a imanência da nobre e miserável condiçao humana e todas suas vicissitudes.

E viva “013”!
(Soube depois que "013" veio do Marrocos há mais de 20 anos atrás. Formou-se em engenharia, mas, por alguma circunstância desconhecida, perdeu tudo e todos. Diz-se que sua família é antiga nobreza marroquina, da mesma linhagem do atual rei Mohamed VI).

(Imagens do Rastro de Madrid)


Niños con cancer

"Em um mundo que a todo momento nos proporciona espetáculos de horror, esse vídeo, vencedor do prêmio de publicidade em Cannes, mostra que ainda existe espaço para a nobreza e a sensibilidade. Impossível não se emocionar com a mensagem" (do site do Pimenta na Muqueca).

Assista aqui.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Relembrando momentos de Estrasburgo

(jantar com prof. Cançado)(Visita ao Tribunal Europeu Direitos Humanos)
(la movida de Estrasburgo...noches inolvidables)
(o "mítico" bar Le Mosquito)
(formatura da turma)


O que se vê numa catedral?




Se há uma característica comum a todas as grandes catedrais européias, para além da beleza impressionante, é o tempo de construçao: nunca menos de alguns séculos.

Veja-se a catedral de Estrasburgo, iniciada em 1015 e só terminada em 1439. Sua fachada maravilhosa (a mais bonita que já vi), sua colossal torre de 142 metros de altura, a austeridade e escuridao do seu interior (típicas do gótico), tudo isso feito em, nada mais, nada menos, quatro séculos! Quatro séculos!!!

O que movia, afinal, esses homens de fé a construirem tao descomunal obra, mesmo sabendo que, eles mesmos, nunca iriam contemplar o resultado final?

Geraçoes e geraçoes se sucederam na empreitada, cada uma acrescentando um tijolo, uma pedra, um detalhe (e quantos sao!!). E, no entanto, poucos construtores puderam ver a igreja pronta.

Por que, entao?

Na verdade, nao sei. Só sei que é uma liçao e tanto para nós, tao presos ao imediato, ao aqui e agora, à nossa exagerada imanência. Os medievais nao, eles eram muito mais transcendentes, mais despojados, mais desprendidos. Nao tinham medo do tempo, como nós. Nao eram escravos do tempo, como nós.

A arte de construir uma catedral é a melhor metáfora de como construir o mundo.

As ciclovias de Estrasburgo



Duas coisas me impressionaram muito em Estrasburgo: a primeira, a Catedral; a segunda, as ciclovias. Tudo organizado, tudo racionalmente preparado para o uso de bicicletas: sinais, faixas, placas, estacionamento. Bom, o relevo da cidade ajuda. Mas, está para além disso, está na própria cultural do povo. Era engraçado ver as senhoras da terceira idade passeando ou indo de compras montadas em bicicletas.
Eu ficava imaginando como nao seria aquilo no período letivo. Estávamos lá na época das férias das universidades. Estrasburgo tem très grandes universidades, que juntas somam 40 mil estudantes, e, com certeza, eles usam esse meio de transporte. Deve ser um espetáculo e tanto.
O interessante era que todo mundo sentia uma repentina vontade de andar de bicicleta. E para dar conta desse desejo coletivo, lá estavam as casas de locaçao: por dia, por semana ou por mês. Simples assim.


Estrasburgo - França

(a Petit France)

(um dos canais da cidade)
(o famoso bretzel)
Estive, durante todo o mês de julho, em Estrasburgo, a capital da Alsácia, extremo-leste da França, na fronteira com a Alemanha. Trata-se de uma cidade de médio porte (pouco mais de 200 mil habitantes) e encantadora..com suas casas do telhado tao característico, com seus rios e seus canais que lhe conferem um charme todo especial, suas pontes, seus edifícios antigos e uma história muito bonita.

É chamada de a Capital da Europa, por albergar algumas das mais importantes instituiçoes européias como o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, o Conselho da Europa, o Parlamento Europeu, etc.

É também a sede do IIDH, Instituto Internacional dos Direitos Humanos, fundado pelo francês René Cassin, prêmio nobel da paz em 1968. Este instituto organiza todos os anos um importante curso, durante todo um mês, sobre direitos humanos e sua dimensao internacional. Neste ano fomos mais de 300 pessoas de todo o mundo, a maioria da Áfria e América Latina.

Dentre as tantas personagens do mundo acadêmico e da magistratura, estava presente o ex-magistrado e ex-presidente da Corte Interamericana de Direitos Humanos, professor Antônio Cançado Trindade, da UnB (o provável próximo juiz do Tribunal Penal Internacional).

Enfim, um curso excelente pra todos os defensores e defensoras dos direitos humanos: pelo conteúdo, pelos bons professores e pelo sensacional ambiente criado por tanta gente diferente.

domingo, 17 de agosto de 2008

Poema do Adeus

"Otro poema! Yo bien podría haberlo dicho hace un tiempo. Pero ahora toca a mí oírlo, ver sus versos abrumadoramente echados a la cara de alguien que, de tan cercano a mí, puede que sea yo, a motivo de las razones que solo un corazón enamorado puede tener. Que triste cuando el amor desear echar raíces en un terreno que se da a la fuga, se marcha...no por mala fe, sino porque sencillamente ya no puede estar allí. Que el cosmos te sea indulgente, chaval!


Poema do Adeus

Esses são versos de adeus!
Esqueça dos beijos meus...
Cansei dos sonhos...
Esqueça meus lábios risonhos!

Vou partir por outras paragens!
Quem sabe encontro à felicidade?!
Na plumagem de uma flor...
Na variedade de tons da cor?!

Estou sedenta por delicadezas
Choro agora de tristeza
Por tanto engano!...

Desço o pano... Fecho a cortina...
Encerro a cena!
Arrependo-me como Madalena
Dos meus pecados
Tão bem decifrados por ti!
Perdi a lucidez
Numa total insensatez!

Quero que te ausentes
Desta minha louca vida!...
Desta alma dorida
Que chora o adeus...
Adeus... Aos lábios teus!

Adeus a esta louca paixão
Acendida entre ternuras e lassidão...
Em over dose de amor!...
Ipês em flor...
Tapetes de luar...
Verde azul oceano...
Águas profundas do mar!...

Não tente decifrar
Este louco coração
Que explodiu em paixão...

Encontre-me na minha poesia
Numa canção... Ou melodia...
Sinta esta minha nostalgia
Que me impulsiona
A um novo amanhecer!
Novo viver... Sem você!

Carmen Vervloet

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Estados Unidos e direitos humanos: um vídeo chocante


Nao é nenhuma novidade saber que sao constantes e sistemáticas as violaçoes aos direitos humanos que os USA perpetram pelos quatro cantos do mundo, em especial no Iraque, Afeganistao e Guantânamo, os símbolos mais fortes dessa realidade.

Na sua cruzada messiânica contra "o mal do mundo", Bush e os seus falcoes têm promovido as barbaridades mais chocantes, em nome da "segurança" (essa palavra mágica e sagrada) do "abençoado" povo "estadunidense".

Um exemplo disso sao as "técnicas de interrogatório" usadas pelas forças as armadas, como o afogamento. Chega a ser até senso comum afirmar que se trata de tortura pura e dura. Mas, nos EUA da era Bush, ganhou outro nome : “interrogatório extremo”. E passou a ser infligido a prisioneiros no Iraque, no Afeganistão e na base de Guantánamo.

Pois bem, jornalista britânico Christopher Hitchens resolveu passar pela experiência (voluntariamente, claro). Recrutou um grupo de veteranos das Forças Armadas, e se entregou como cobaia de uma simulação de afogamento.

"Funciona assim: o prisioneiro é deitado sobre uma prancha de madeira. Capuz na cabeça, é atado à maca por correias apertadas nos pés e na barriga. Sobre o rosto encapuzado, vai uma toalha dobrada em três. Em seguida, despeja-se água sobre a boca e o nariz da vítima. Os efeitos costumam ser instantâneos. Submetido à técnica, o sujeito confessa até as peraltices da infância.
O bravo Hitchens resistiu o quanto pôde. O que, no seu caso, não foi muito tempo: escassos 11 segundos" (relata o blog do josias).

A experiência foi documentada em imagens – fotos e vídeo — e registrada num texto do próprio Hitchens, escrito na primeira pessoa, cujo título diz tudo: "Acreditem, é tortura".

“Se isso não constitui tortura, então a tortura não existe”, anota Hitchens.

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Sugestao de música: Joao Gilberto e Caetano cantam "Bésame mucho"

Já postei várias músicas de Joao Gilberto e Caetano, tiradas do memorável show que fizeram em Buenos Aires. Sugiro mais uma. Trata-se da conhecida "Bésame mucho", que os dois cantam, praticamente, improvisando: Joao diz que vai ensaiar pra cantar no dia seguinte, depois resolve relembrar os acordes com Caetano cantarolando, e por fim, Caetano canta, solicitando ele mesmo um bis pra que Joao cante. Uma delícia!

- "Ahora yo quiero pedir bis! Porque él tiene que cantarla. Una vez. No la cantaste! Você nao cantou, Joao! Canta ela uma ´vêizinha´".

- Uma ´vêizinha´?

- "É, canta...pra mim".

- Mas, você me segura.

- "Eu errei uma palavra".



domingo, 10 de agosto de 2008

Historias olvidas - "el joven de Tiananmen"

El 4 de junio pasado se cumplieron 19 años de la represión por parte del Ejército Popular de Liberación a las manifestaciones estudiantiles que empezaron en China el 15 de abril de 1989. La cruel represión de la protesta de la plaza de Tiananmen causó la muerte de cientos de estudiantes y provocó la condena internacional de la actuación del gobierno.

Sin embargo, la matanza de Tiananmen no hubiera tenido este impacto mundial sin la imagen más simbólica de este suceso. La de aquel joven que se plantó frente a los tanques militares para detener su recorrido en la plaza.

Nada se sabe de él. Nadie sabe lo que aquel osado estudiante le dijo al conductor del tanque cuando logró escalar hasta él, ni tampoco dónde se fue tras lograr detener a esa infinita fila de tanques. Unos dicen que fue asesinado, otros dicen que no. Muerto o vivo, el símbolo sigue actual.

En tiempos de Olimpiadas en Beijing, es saludable no olvidarse del Tank Man y de todas las libertades que él simboliza.

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Sugestao de música: "Hit the road Jack!", de Ray Charles

Hit the Road, Jack! un tema escrito por Percy Mayfield, que Ray Charles llevó al número 1 de la lista de ventas en el año 1961.

La canción es un diálogo entre Ray Charles y sus Raylettes, el coro femenino liderado por Marjorie Hendricks. Precisamente esta última se encarga de rechazar con una contundente voz las súplicas de Ray. “No more, no more, no more”.

"Dê no pé, Jack!"


quarta-feira, 25 de junho de 2008

Historias olvidadas - "uma liçao de ética deportiva"

Numa partida de futebol, um dos times deveria entregar a bola ao outro, nesses lances que ocorrem por "fair play" (um jogador se machuca e o time adversário pára a jogada, por exemplo). Pois bem, só que um jogador, metido a espertalhao, revolveu quebrar a regra (que nao está escrita, mas que existe no nível da moralidade), e veja o que aconteceu.

Clicar aqui e assista: Sobre Ética.

entrevista con Loic Wacquant

Entrevista Loïc Wacquant, "A criminalização da pobreza" - não deixe de ler!!

O autoritarismo do MP gaúcho

No dia em que o Ministério Público do Rio Grande do Sul deu claras mostras de que lado está, ou seja, a serviço do latifúndio e do direito de propriedade "absoluto", coloco aqui um texto de Luis Fernando Veríssimo muito apropriado pra refletir sobre mais essa sandice. Depois de cinco séculos de concentraçao da terra nesse país e da sistemática exclusao dos camponeses na apropriaçao do território, ainda se ouvem as aberraçoes jurídicas desses ilustres, mas míopes e atrofiados mentalmente, promotores que querem a "dissoluçao do MST".

Eis o texto:

Provocações

09/06/2006
Luis Fernando Veríssimo


"A primeira provocação ele agüentou calado. Na verdade, gritou e esperneou. Mas todos os bebês fazem assim, mesmo os que nascem em maternidade, ajudados por especialistas. E não como ele, numa toca, aparado só pelo chão. A segunda provocação foi a alimentação que lhe deram, depois do leite da mãe. Uma porcaria. Não reclamou porque não era disso. Outra provocação foi perder a metade dos seus dez irmãos, por doença e falta de atendimento. Não gostou nada daquilo. Mas ficou firme. Era de boa paz.

Foram lhe provocando por toda a vida. Não pode ir a escola porque tinha que ajudar na roça. Tudo bem, gostava da roça. Mas aí lhe tiraram a roça. Na cidade, para aonde teve que ir com a família, era provocação de tudo que era lado. Resistiu a todas. Morar em barraco. Depois perder o barraco, que estava onde não podia estar. Ir para um barraco pior. Ficou firme.

Queria um emprego, só conseguiu um subemprego. Queria casar, conseguiu uma submulher. Tiveram subfilhos. Subnutridos. Para conseguir ajuda, só entrando em fila. E a ajuda não ajudava. Estavam lhe provocando.

Gostava da roça. O negócio dele era a roça. Queria voltar pra roça.

Ouvira falar de uma tal reforma agrária. Não sabia bem o que era. Parece que a idéia era lhe dar uma terrinha. Se não era outra provocação, era uma boa. Terra era o que não faltava. Passou anosouvindo falar em reforma agrária. Em voltar à terra. Em ter a terra que nunca tivera. Amanhã. No próximo ano. No próximo governo. Concluiu que era provocação. Mais uma.

Finalmente ouviu dizer que desta vez a reforma agrária vinha mesmo. Para valer. Garantida. Se animou. Se mobilizou. Pegou a enxada e foi brigar pelo que pudesse conseguir. Estava disposto a aceitar qualquer coisa. Só não estava mais disposto a aceitar provocação.

Aí ouviu que a reforma agrária não era bem assim. Talvez amanhã. Talvez no próximo ano... Então protestou. Na décima milésima provocação, reagiu.

E ouviu espantado, as pessoas dizerem, horrorizadas com ele: VIOLÊNCIA NÃO!"


Agora eu pergunto:
Quem provoca quem, cara pálida?
Quem é violento com quem, cara pálida?
(foto de Sebastiao Salgado)

"Ocupar, resistir e produzir".

Viva o MST!

Por um Brasil sem latifúndio!

terça-feira, 24 de junho de 2008

"A vida do viajante" - Luis Gonzaga

Dia 24 de junho e eu aqui: sem licor de jenipapo, sem canjica, mingau de milho, pamonha, forró! Quem manda nao ficar quieto num canto! Bem apropriado é ouvir "A vida do viajante", do grande e único Luis Gonzaga, pra matar a saudade e pensar na vida.

Como me escreveu meu amigo Gilday: "mesmo estando do outro lado do atlântico, seu coração tá sentindo a energia que perpassa no coração do povo nordestino. O forró de são joão é uma demonstração litúrgica do povo".



Sugestao de entrevista - Carlos Minc, sabatinado pela Folha


Neste dia 23 de junho, o ministro do meio ambiente Carlos Minc foi sabatinado pelo jornal Folha de Sao Paulo. Vale a pena conferir. Dá pra se ter uma idéia geral da política ambiental do governo.

Confira aqui.
(Carlos Minc com Chico Mendes em 1987, no Rio de Janeiro/foto copiada do blog Mary Allegretti)

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Pra refletir

Se não houvesse senão uma chance sobre cem mil, uma ínfima probabilidade, eu apostaria mesmo assim (...) Eu tenho a paixão das causas difíceis, quase perdidas, quase desesperadas. É toda a diferença entre a falésia, confortavelmente sentada, contente de seu lugar, arrogante, condescendente consigo mesma, e a onda, que reflue, se retira, sem esquecer jamais de voltar à carga. Tu sabes quem, entre a falésia e a onda do mar, tem a última palavra?
Daniel Bensaïd (filósofo francês de inspiraçao trotskista e um dos líderes da revoluçao de maio de 68)

Só há bons ventos para quem sabe onde quer chegar.
Sabedoria popular portuguesa

Melhor andar para trás, do que andar para frente na direção errada.
Sabedoria popular inglesa

Essa é uma briga particular, ou qualquer um pode participar?
Sabedoria popular irlandesa

sábado, 21 de junho de 2008

Sugestao de Banda - "Amaral"


Amaral é uma banda originária da cidade de Zaragoza, formada por Eva Amaral e Juan Aguirre, vocalista e guitarrista respectivamente. Ambos sao também os compositores das músicas do grupo. O estilo é uma espécie de mistura de folk e rock, com letras de grande conteúdo poético. Doces melodias, com uma certa dose de melancolia e existencialismo, aliada à voz linda de Eva, sao uma verdadeira alegria aos ouvidos.

Acaba de lançar o seu 5º CD, Gato negro Dragón rojo, e é um sucesso absoluto. Tem 19 músicas, todas muito boas. O destaque que deram às guitarras, às vezes pesadas, às vezes suaves, ficou fantástico. Um disco adorável, excelente.

Entrando de vez nesse mundo da internet, colocaram as músicas no site, com a possibilidade de comprar o disco digital.

Recomendo Amaral aos amantes da boa música. Clique aqui.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Dois artigos interessantes sobre o Brasil - "El País" y "La Vanguardia"

"Ya es mañana en Brasil"

No mesmo dia em que o Ministério do Trabalho anunciou a criaçao record de empregos formais nos primeiros cinco meses do ano (mais de um milhao), dois artigos publicados na mídia espanhola tratam desse bom momento vivido pelo Brasil. Vale a pena ler os dois.

O primeiro é do Jornal El País e foi escrito por um editor do "The Economist". Em alusao àquele famoso mote de que "o Brasil é o país do futuro", o artigo apresenta o título "Já é amanha no Brasil". Acesse aqui.

O segundo artigo é do Jornal La Vanguardia, assinado pela jornalista Lorena Farras, e intitula-se "El azúcar en el depósito", e trata das potencialidades do país em matéria de bioetanol. Acesse clicando aqui.