quinta-feira, 29 de maio de 2008

Historias olvidas II - A justiça vê

A JUSTIÇA VÊ

A história oficial do Brasil continua atraindo inconfidências, deslealdades, às primeiras revoltas pela independência nacional.

Antes que o príncipe português se transformasse em imperador brasileiro, houve várias tentativas patrióticas. As mais importantes foram as de Minas Gerais e da Bahia.

O único protagonista da Inconfidência Mineira que foi enforcado e esquartejado, Tiradentes, era um militar de baixa graduação. Os demais conspiradores, senhores da alta sociedade mineira fartos de pagar impostos coloniais, foram indultados.

No fim da Inconfidência Baiana, o poder colonial indultou todos, com quatro exceções: Manoel Lira, João do Nascimento, Luís Gonzaga e Lucas Dantas foram enforcados e esquartejados. Os quatro eram negros, filhos ou netos de escravos.

Há quem acredite que a Justiça é cega.

(Relato do livro Espelhos, de Eduardo Galeano)

Sugestao de livro: Espelhos, de Eduardo Galeano

"Espelhos, uma história quase universal", é o último livro de Galeano, este fabuloso escritor uruguaio, intelectual comprometido com a história e a dignidade dos vencidos. Fui ao lançamento desse livro aqui em Madri, ontem, e o comprei imediatamente. É mais uma preciosidade, assim como aquele inquietante Veias abertas da América Latina ou O mundo de cabeça para baixo.

Galeano nos brindou ontem com a leitura de alguns dos quase 600 relatos que o livro contem; falou de tantas e tantas histórias esquecidas, de tantas e tantas mentiras contadas, de tantas e tantas injustiças cometidas, num tom simples, poético, irônico, leve, esperançoso e verdadeiro.

"Espelhos" é dessas obras que surgem pra serem lidas e relidas, dessas que nao podem nao ser lidas e relidas.

Na abertura, encontramos escrito:
Os espelhos estão cheios de gente.
Os invisíveis nos vêem.
Os esquecidos nos recordam.
Quando nos vemos, nós os vemos.
Quando nos vamos, eles se vão?

E na última capa:
Este livro foi escrito para que não se vão.
Nestas páginas se unem o passado e o presente.
Renascem os mortos, os anônimos têm nome:
os homens que levantaram os palácios e os templos de seus senhores;
as mulheres, ignoradas pelos que ignoram o que temem;
o sul e o oriente do mundo, desprezados pelos que desprezam o que ignoram;
os muitos mundos que contêm e esconde;
os pensadores e os sentidores;
os curiosos, condenados por perguntar,
e os rebeldes e os perdedores e
os loucos lindos que foram e são o sal da terra.

Sem mais palavras. Vamos à leitura, com a recomendaçao de dedicar mais atençao aos relatos de grandes "espelhos" brasileiros: a inconfidência mineira, a história de Rosa Maria (a primeira negra alfabetizada do Brasil) e outras...como disse Emir Sader, "grandes espelhos em que reconhecemos o mundo que criamos e recriamos todas as horas, mas em que fingimos não nos reconhecermos".

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Historias olvidadas - I

A primeira "história olvidada" eu tiro do livro que me inspirou esta seçao: Espejos - uma historia casi universal, de Eduardo Galeano.

O título é "Fundación de la belleza", e como nos contou hoje o próprio Galeano, no lançamento de seu livro, foi inspirado nas pinturas rupestres que se conservam num certo museu, visitado pelo autor em determinada ocasiao.

"Están allí, pintadas en las pareces y en los techos de las cavernas. Estas figuras, bisontes, alces, osos, caballos, águilas, mujeres, hombres, no tienen edad. Han nacido hace miles y miles de años, pero nacen de nuevo cada vez que alguien las mira.

¿Cómo pudieron ellos, nuestros remotos abuelos, pintar de tan delicada manera? ¿Cómo pudieron ellos, esos brutos que a mano limpia peleaban contra las bestias, crear figuras tan llenas de gracia? ¿Cómo pudieron ellos dibujar esas líneas volanderas que escapan de la roca y se van al aire? ¿Cómo pudieron ellos...?

¿O eran ellas?"


A história olvidada desse texto é clara: a mulher, esquecida, abandonada, invisibilizada; alvo da injustiça secular de nao ver reconhecido o seu papel na construçao da HUMANIDADE.

sexta-feira, 23 de maio de 2008

I Encuentro Internacional de Becarios IFP/Fundaçao Ford en España

Ocorreu de 9 a 11 desse mês, em Barcelona, o I Encontro Internacional de Bolsistas da Fundaçao Ford que estao atualmente realizando seus estudos na Espanha. Tratou-se de um momento de reflexao, avaliaçao e construçao de propostas para o período de usufruto da bolsa de estudos e, sobretudo, para o pós-bolsa, quando cada um retornará aos seus países de origens.

Éramos cerca de 40 bolsistas, originários da América Latina e África. A proposta mais interessante foi a da criaçao de uma Rede de Bolsistas e ex-Bolsistas, com o intuito de trocar experiências, proporcionar ajuda mútua e manter vivos os laços construídos.
(ato de abertura na Universidade Autônoma de Barcelona)

(trabalho em grupo)

(deliberaçao da assembléia de bolsistas)

(momento cultural)

I Congresso dos Petistas do Exterior

A Secretaria de Relaçoes Internacionais do PT (SRI) convocou para os dias 12, 13 e 14 de setembro próximo, o I Congresso dos Petistas do Exterior, a ser realizado em Lisboa. Os ajustes do encontro foram feitos em recente reuniao na capital portugues, pelo PT Nacional e os núcleos petistas de Madri, Lisboa, Paris e Galiza.

O encontro terá como pauta:
a) conjuntura nacional; b) conjuntura internacional e tarefas dos petistas residentes no exterior; c) organização dos petistas no exterior.

Os delegados serao eleitos em cada localidade onde há petistas organizados (constituídos em núcleos ou nao), a saber: Alemanha: Berlim, Frankfurt e Stuttgart; Argentina: Buenos Aires; Austrália: Adelaide; Bélgica: Bruxelas; Chile: Santiago; Cuba: Havana e Camaguey; Dinamarca: Copenhague; Estado Espanhol: Barcelona, Madri e Santiago de Compostela; EUA: Boston, Nova York e Washington; Finlândia: Helsinque; França: Paris; Holanda: Amsterdã; Itália: Florença, Roma e Turim; Portugal: Lisboa e Porto; Reino Unido: Londres; Rússia: Moscou; Suíça: Genebra.

Maiores detalhes em: http://www.pteuropa.blogspot.com/
(Carlos Gabas, Sec. Executivo do Ministério da Previdência Social)

(Reuniao com a SRI-PT)

(Reuniao com o Ministro Luiz Dulci, da Sec. Geral da Presidência)

Um bate-papo com Joao Felício, da CUT

Brasil e Europa debatem migrações e mercado de trabalho

Estive, recentemente, em Lisboa participando de um seminário realizado pela CUT e pela CGTP, a maior central sindical de Portugal. O evento amplo contou com a presença de várias centrais sindicais da Europa e dos governos de Portugal e do Brasil.

Estiveram presentes, da parte brasileira, Luiz Dulci, ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Carlos Gabas, secretário-executivo do Ministério da Previdência Social, e Paulo Sérgio de Almeida, presidente do Conselho Nacional de Imigração. Do PT, o Dep. Federal Nilson Mourao e o Sec. de Relaçoes Internacionais, Valter Pomar.

Pela CUT, estava presente o Secretário de Relaçoes Internacionais e ex-presidente da entidade, Joao Felício, com quem tive um excelente bate-papo, publicado originalmente no Pimenta na Muqueca.

(leia mais, clicando no título acima)

Publicado no site Pimenta na Muqueca

A repercussão internacional da saída de Marina Silva

Estou ainda meio atônito com a repercussão da saída da Marina Silva do Ministério do Meio Ambiente. Sabia do prestígio internacional da senadora, mas não imaginava que tivesse proporções tão formidáveis.

Atrevo-me a dizer que, considerando-se o âmbito do poder político e o círculo ambientalista, a ex-ministra rivaliza em pé de igualdade com Lula, em termos de admiração, respeito, prestígio. É tida como uma das maiores autoridades mundiais em matéria ambiental – acabo de confirmar.

(leia mais, clicando no título da matéria)

sábado, 17 de maio de 2008

Moisés, de Michelangelo

"Perchè non parli?"
"Por que nao falas?" foi a frase atribuída a Michelangelo, ao concluir a escultura de "Moisés" (1513-1516). Conta-se que, assim que terminou de esculpi-la, o artista perdeu por um instante a lucidez, diante da beleza da obra, e teria batido com um martelo no joelho da escultura e começado a gritar: "Perchè non parli? Perchè non parli?"

De fato, olhando-a, é perfeitamente possível imaginar a alucinaçao que lhe assaltou. Só nao é perfeita por que, justamente, nao fala. O realismo é impressionante: os músculos, a expressao facial, a túnica que recobre o corpo....e tudo isso feito num único pedaço de mármore de Carrara!

O "Moisés" se encontra na entrada da Igreja de San Pietro in Vincoli, em Roma. É, sem dúvida, uma das maiores obras-primas de Michelangelo, junto com o Davi (que está em Florência, na Galeria da Academia), La Pietà do Vaticano (que se acha na Basílica Sao Pedro), e a pintura do teto da Capela Sistina, retratando o Gênesis.

Indo a Roma e Florência, é obrigatório conhecer e admirar as obras desse renascentista que foi escultor, arquiteto, pintor e até poeta.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Sugestao: show de Joao Gilberto e Caetano

Joao e Caetano fizeram juntos um show memorável em Buenos Aires, no ano 2000. Uma preciosidade, dessas coisas que só duas genialidades como esses dois baianos "de pura cepa" sao capazes de produzir. Música de verdade. Pura arte. Puro Brasil. Pura Bahia. O show resultou num CD e num DVD de 2 horas de duraçao intitulado Joao Gilberto & Caetano Veloso "Live & Together " . Todo mundo deveria tê-los na sua estante - guardados como relíquia -, ao lado dos grandes clássicos de expressao universal.

Vale a pena conferir.

Destaco todas as músicas que tem a BAHIA como tema:
Bahia com H (Clique)
Acontece que eu sou baiano (Clique)
Eu vim da Bahia


E mais, a ternura de Avarandando e a improvisaçao de O Pato. Formidável.
(Aqui)
(Aqui)

Quatro imagens de Pisa

5.5º graus de inclinaçao!
Essa foto todo mundo faz. Clichê? E daí?? rsrsrs

Vista aérea da Praça dos Milagres

Praça dos Milagres e o conjunto dos principais monumentos: o batistério, a catedral e a torre.
Pisa situa-se na Toscana. É uma cidadezinha pequena, embora grande pelos seus monumentos. Os mais importantes estao na Piazza dei Miracoli (Praça dos Milagres), considerada um dos maiores centros de arte medieval do mundo e declarada patrimônio da humanidade.

Merece destacar, primeiramente, a catedral, toda construída em mármore branco entre 1064 e 1118, em estilo românico e dedicada à Assunçao de Nossa Senhora. Em segundo lugar, o maior batistério da Itália, dedicado a Sao Joao Batista, um edifício româmico redondo, construído entre os séc. XII e XIV. Terceiro, o edifício do Camposanto, um cemitério dos tempos medievais.

E quarto, claro, a mais famosa torre...a inclinada, do século XII, de 55 metros de altura. A sua inclinaçao tao característica (5.5º graus ou 4,5 metros da vertical) ocorreu logo no início de sua construçao. A razao de tal fenômeno se explica pela natureza pantanosa do terreno sobre o qual está edificada a cidade. Pouca gente sabe, mas há outras duas torres inclinadas em Pisa: os campanários da Igreja de San Nicola e da Igreja de San Michele degli Scalzi (neste caso, até a igreja está inclinada).
Em um dia dá pra conhecer tudinho! Basta tomar um trem em Florência, desde Santa Maria Novella, e em 1.30h, se está em Pisa.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Rima a uma amiga especial: Nahama!

Uma rima a Nah-Ama!

Na chuva que jorra e derrama
No vento que sopra e assanha
Na história em que se perde e se ganha

Aqui, acolá ou no Alabama
No rádio, TV, no programa
Na sombra, no sol ou na fama

Diáfano, diátono, diagrama
Sons, notas, pentagrama
Carta, coisa, telegrama

Deus, Alá, Buda, Brama
Alfa, beta, zeta, gama
Rei, rainha, servo, dama

Comédia ou drama
Pavio ou chama
Fruta ou rama

Na trama
Na lama
Na grama
Na cama.............NAH-AMA!

(Luciano)

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Quatro imagens de Roma

Via del Corso, uma extensa avenida no centro econômico-político de Roma. Liga Praça Veneza a Praça do Povo. Passear por esta rua é se deparar com toda a opulência consumista do primeiro mundo...Gucci, Giorgio Armani, Versacce....vitrines que enchem os olhos e esvaziam os bolsos. Sugestao: pegar um dos becos adjacentes e observar as lojas mais simples e menos badaladas. Nunca vi tanta camisa bonita!
O Pantheon é um monumento que remonta aos inícios do Império Romano. Trata-se de um templo dedicado a todos os deuses da mitologia romana. É tao impressionante que Michalangelo disse que era "desenho dos anjos e nao humano". Sugestao: além de conhecer a história e os detales arquitetônico desse lugar, é obrigatório tomar um sorvete numa das tantas sorveterias da praça. Um delícia!



Fonte de Trevi. Uma jóia, uma preciosidade, uma coisa quase sobrenatural por ser tao bela. Quem quiser desfrutar bem, a sugestao é ir cedinho, quando a multidao ainda nao se aglomerou ao redor, tirando fotos e jogando moedinhas.




Esse é o melhor ângulo pra se ver e admirar o Coliseu. Há uma pracinha, uns banquinhos e uma vista maravilhosa. É só sentar e deixar o espanto estético tomar conta. Pura beleza! A maioria nem se dá conta desse cantinho...Passagem obrigatória pra quem visita Roma.

Tom e Joao Gilberto

Tom e Joao

Encontro de Joao Gilberto e Tom Jobim em 1992, 30 anos depois. Aqui, tocam e Joao Gilberto canta o hino Chega de Saudade. É emocionante. Divirta-se clicando aqui.

terça-feira, 13 de maio de 2008

Ordenaçao diaconal de Márcio, Dino e Alessandro








Itabunenses sao ordenados diáconos em Roma

No último dia 3 de maio, no Santuário La Scala Santa, situado na jurisdiçao do Vaticano, foram ordenados diáconos José Secundino Mendes Oliveira, Márcio Santos de Souza, naturais de Itabuna, e Alessandro dos Santos Alves, de Jequié. Os três receberm o 1º grau do sacramento da ordem, o diaconato, estando aptos, depois de um período de exercício do ministério, a se tornarem sacerdotes. Terao como missao celebrar batizados, distribuir a comunhao, assistir a casamentos, proclamar o Evangelho nas missas, e promover iniciativas em favor dos mais necessitados.

A cerimônia foi presidida pelo cardeal brasileiro Dom Cláudio Hummes, ex-arcebispo de Sao Paulo e atual Prefeito da Congregaçao para o Clero, departamento da Santa Sé, diretamente subordinado ao Papa, responsável por cuidar dos assuntos relacionados aos sacerdotes católicos do mundo.
Os novos diáconos sao membros da Congregaçao dos Padres Passionistas, que, em Itabuna, desenvolvem suas atividades na Paróquia Santa Maria Goretti, no Bairro Mangabinha. Há pouco mais de dois anos, os três religiosos vivem em Roma, onde realizam estudos de teologia.

Os dois itabunenses sao destacadas figuras em suas comunidades de origem. Márcio Santos teve importante participaçao na formaçao e animaçao dos grupos de jovens da comunidade católica do Bairro Lomanto. Estudou filosofia no Instituto de Teologia de Ilhéus (ITI) e está concluindo a graduaçao em Teologia pela Universidade Lateranense.

Secundino Mendes, popularmente conhecido por Dino, é do Bairro Sao Caetano, paroquiano de Santa Rita de Cássia, igreja na qual, desde cedo, iniciou e protagonizou diversas iniciativas de cunho eclesial e social. Teve passagem das mais destacadas na UESC (Universidade Estadual de Santa Cruz), seja como aluno do curso de Filosofia, seja como participante ativo do movimento estudantil na diretoria do DCE (Diretório Central dos Estudantes). Atualmente está concluindo mestrado em teologia também na Universidade Lateranense.

A partir de agora, os neo-ordenados exercerao suas funçoes na comunidade religiosa em que vivem e no Santuário La Scala Santa, que é um dos principais pontos de peregrinaçao de Roma, por albergar – segundo contra a tradiçao católica – a escada pela qual subiu Jesus Cristo ao ser levado à presença de Pilatos antes da crucificaçao, e que foi trazida a Roma, como relíquia, por Santa Helena, mae do Imperador Constantino, no ano de 326.

Entre dezembro próximo e janeiro de 2009, os religiosos serao ordenados padres, cada um em sua terra natal.

terça-feira, 29 de abril de 2008

Lula em céu de brigadeiro

Charge - Amarildo (copiada do blog do Noblat)
O homem tá parecendo a massa de pao: quanto mais bate, mais cresce! Só resta à oposiçao mudar de estratégia.

Totò, Peppino e la Malafemmena

Esse é o título de um dos melhores filmes de Totò, que foi, pra mim, o maior cômico de todos os tempos. Suas piadas, seu dialeto napoletano, suas improvisaçoes...o tornam único. Uma pena que nós nao conhecemos esse mestre da comédia! Seleciono aqui algumas cenas tiradas de Youtube.

Totò, Peppino e la Malafemmina conta a história da família Capponi, moradora da zona rural do sul da Itália. Gente simples, caipira, que desconhece a cidade grande. Um dia, Gianni, sobrinho dos irmaos Capponi (Totò e Peppino), abandona seus estudos, sua mae, o vilarejo pra ir atrás de Marisa, uma bailarina que se dirige a Milao em tourné. Os tios, entao, resolvem partir em busca do rapaz. E aí começam as aventuras.

Três cenas se destacam pelo esplendor da improvisaçao e da graça. A primeira, quando chegam na estaçao de trem de Milao,vestidos como russos, porque achavam que, em Milao, sempre fazia frio e sempre havia névoa (como havia dito o amigo Mezzacappo). Famosa a frase de Totò, quando perguntado por Peppino onde estava a névoa....relembrando que Mezzacappo dissera que "quando há névoa em Milao, nao se vê", ele diz: "La nebbia c`è, ma non si vede!" Confira aqui.

A segunda, é a cena em que Totò e Peppino se aproximam de um guarda de trânsito, na praça do Duomo, crendo que ele é um general austríaco, pelo modo de vestir e de falar (com acento milanês) e lhe perguntam: "Para ir aonde devemos ir, aonde devemos ir. É uma simples informaçao". Como toda traduçao tem um pouco de traiçao, em português perde um pouco da graça: "Per andare dove dobbiamo andare, dove dobbiamo andare. È una semplice informazione." Confira clicando aqui.

A terceira é melhor de todas. Totò dita a Peppino a carta que os dois vao entregar à namorada do sobrinho. Inigualável. Conta-se que foi improvisada. É simplesmente maravilhosa. Confira aqui: Clique.

O brasileiro e o mercado de trabalho espanhol

Publicado originalmente, no Jornal A Regiao

Em termos gerais, os setores profissionais que mais empregam imigrantes na Espanha sao os de serviços e a construção civil, seguidos pela indústria e agricultura. Entretanto, há uma variedade interessante em função da nacionalidade. Geralmente, os originários da União Européia estão inseridos no setor financeiro e comercial, ou no desempenho de profissões liberais. Já entre os latino-americanos predominam a hotelaria, o serviço doméstico, trabalhos em bares, restaurantes e na construção civil, ou seja, atividades que não exigem especial qualificação.

Os brasileiros, em sua imensa maioria, “pegam no pesado”, ou seja, trabalham na construçao civil e nos serviços, salvo algumas exceções. Aliás, segundo a Associação Nacional de Empresários e Profissionais Autônomos (ANEP), 96% dos brasileiros trabalham nesses dois setores. Geralmente, quem está documentado não encontra demasiadas dificuldades pra achar um emprego num restaurante, loja, hotel, casa de família ou na “obra”. Quem, pelo contrário, não possui documentos regulares passa dificuldades importantes. Além de se submeter a jornadas rigorosas e remuneração mais baixa, ainda fica exposto à exploração. É o pessoal que, em Madri, é simbolizado pela conhecida “Praça Elíptica”. Nesse lugar cêntrico da cidade, ponto de saída para o sul da capital, na rodovia que leva a Toledo, todo santo dia pela manhã uma multidão de imigrantes indocumentados abarrotam as calçadas esperando os recrutadores de mão-de-obra barata. É o ambiente certo pra conhecer histórias de milhares de trabalhadores brasileiros.

Eu, pessoalmente, conheço alguma delas, de gente que chega a trabalhar 13 horas por dia num canteiro de obras; de meninas diaristas que suportam o inimaginável limpando casas; de garçons e garçonetes que dormem apenas algumas horas por dia. Mas, também conheço pessoas que estão confortáveis. E não falo dos brasileiros ricos dos bairros de Las Rozas e Majadahonda: empresários, funcionários de bancos, embaixada, consulado. Falo de gente que, após três/quatro anos, conseguiu se estabilizar e ter uma vida tranquila.

Em geral, ganha-se um pouco mais do que o salário mínimo espanhol, 600 euros, numa jornada de oito horas. Mas, levando-se em conta o custo de vida, dificilmente a remuneração mínima legal permite chegar com tranquilidade ao fim do mês. Moradia é, sem dúvida, o que mais pesa. Em Madri, por exemplo, o aluguel de um apartamento não sai por menos 700/800 euros. A solução é dividir. É comum encontrar 7, 8, até 10 pessoas num apartamento. Ou mais. A ONG SOS Racismo já denunciou ter encontrado casas de 25 metros quadrados, divididas por 20 pessoas. Sao as “casas-balsas”. Há também a prática de alugar apenas a cama. É o que se denomina aqui de “cama caliente”. São colchões alugados por tempo, turnos normalmente de 12 horas, que vão das 8h às 20h e das 20h às 8h. Parece mentira, mas não é. Quem trabalha durante o dia aluga a cama pra outro que trabalha à noite. Ganhou esse apelido de “cama quente” porque nunca dá tempo de esfriar. São os “severinos” do tal primeiro mundo, vivendo sua vida também “severina”.

E agora que a Espanha já sofre os efeitos da crise americana, com a desaceleração econômica, especialmente do setor imobiliário, com um prognóstico de crescimento de 2% para 2008, a situação do mercado de trabalho para os imigrantes não parece sinalizar para melhoras. De fato, acaba de sair um dado preocupante, divulgado pela Confederação Espanhola de Organizações Empresariais (CEOE),: calcula-se que 1 milhão de estrangeiros perderão seus postos de trabalhos até o fim de 2009 por culpa da crise, especialmente nos setores de serviço e construção. Só deste último setor, haverá entre 600 mil e 800 mil novos desempregados, sendo 95,5% deles imigrantes. Essa previsao parece, de fato, ter um fundamento sólido, pois o Ministério do Trabalho tornou público, recentemente, que, nesses primeiros meses de 2008, houve um aumento de 92,1% de desempregados imigrantes no setor da construção em relação ao mesmo período do ano passado. Na agricultura, a taxa foi de 139,5%.

Os reflexos da crise, inclusive, já teriam refletido no próprio fluxo migratório, a deduzir pela leve queda na taxa de imigrantes. Já para aqueles que perderao seus empregos, a soluçao será o caminho de casa. O governo socialista vai estimular a repatriaçao voluntária, até mesmo oferecendo passagem de ida.

Assim, quem estiver com pretensão de embarcar na aventura de trabalhar fora do Brasil, “sin papeles”, sobretudo na Espanha, que pense bem. Esqueça, principalmente, que vai ter vida fácil e, em pouco tempo, ganhar muito dinheiro. Só vale a pena mesmo se for com contrato regular de trabalho. Do contrário, é como dizia Cazuza: “dias sim, dias não, eu vou sobrevivendo sem um arranhão, da caridade de quem me detesta”.

Os números da imigraçao brasileira na Espanha

Texto publicado originalmente no Jornal A Regiao, de Itabuna, Bahia.

Em poucas décadas, a Espanha passou de ser um país de emigrantes para ser receptor de um intenso fluxo migratório. Segundo o Censo 2007 do Instituto Nacional de Estadística-INE (organismo oficial encarregado de coordenar os serviços estatísticos da administração do Estado), um percentual de 9,1% da população espanhola são de imigrantes. São nada menos que 4.519,6 pessoas. Deste universo, 44,81% estão concentrados em apenas três províncias: Madri, Barcelona e Alicante.

Ao contrário de França, onde 10% da população são de nacionalidade argelina, ou Alemanha, cujo predomínio é dos turcos, a imigração espanhola é bastante variada, estando dominada, em primeiro lugar, pelos países da própria Comunidade Européia e, em segundo, pelos ibero-americanos. De fato, segundo a Secretaria de Estado para Imigração, dos estrangeiros com permissão de residência, 38% são europeus comunitários, e 30% são latino-americanos. Os campeões, no entanto, na classificação por nacionalidades, são os marroquinos (16,31%), seguidos pelos romenos (15,18%), equatorianos (9,95%), colombianos (6,39%), britânicos (4,99%), búlgaros (3,19%), italianos (3.14%), chineses (3.01%), peruanos e portugueses, ambos na casa dos dois por certo. Estas dez nacionalidades representam 67,64% do total de estrangeiros com autorização de residentes na Espanha, no final de 2007.

Quanto aos brasileiros, o número daqueles que têm apenas permissão de residência está na casa de 39.160 pessoas, de acordo com os dados de 2007. Entretanto, levando-se em consideração o Censo 2007, do Instituto de Estatística, esse número sobe para 90.161. A diferença tem explicação no fato de que, nos dados da Secretaria de Estado para a Imigração, não se leva em conta o número de “empadronados”. Este “empadronamiento” é imprescindível para matricular os filhos na escola e ter acesso ao sistema público de saúde, e se trata de um procedimento mediante o qual a pessoa se inscreve, na prefeitura, como moradora do município no qual se encontra. De acordo com os números do censo, cuja pesquisa é bem mais ampla, o Brasil ocupa o 15º lugar no ranking do fluxo migratório para a Espanha, ficando em 6º, considerando-se apenas a América Latina. Perde apenas para Equador, Colômbia, Argentina, Bolívia e Peru.

Os dados disponibilizados pelos INE revelam que o crescimento da população imigrante brasileira se deu num ritmo consideravelmente lento até 2002.

Ano Pessoas
1998 6.709
1999 8.332
2000 11.126
2001 17.078
2002 23.719

No entanto, a partir daí, houve um aumento acentuado do fluxo migratório, que chegou ao patamar de 72.441 pessoas, em 2006, e 90.161, em 2007. Em termos percentuais, isso significa um aumento de 380% entre 2002 e 2007. Mas o número real, entre documentados e indocumentados, pode chegar a mais de 130 mil brasileiros, segundo o Consulado Geral do Brasil em Madrid.

Um dado interessante que merece ser destacado é a questão do gênero. Há um predomínio enorme, no caso brasileiro, da presença feminina. A imensa maioria dos imigrantes brasileiros está constituída por mulheres. É algo em torno de 66%, ou 54.598 mulheres, contra 35.563 homens. Esse é um dado que merece ser objeto de pesquisa.

Também o é o crescimento do fluxo a partir de 2002. Afinal, o que explica esse aumento vertiginoso da saída de brasileiros para a Espanha entre 2002 e 2007, em pleno governo Lula? Não deixa de ser um fato intrigante, uma vez que tem lugar justamente num período de recuperação econômica, controle inflacionário, forte geração de empregos, importante valorização dos salários, implementação de políticas públicas de grandes impactos sociais, aumento do crédito, etc. Não é uma resposta simples de dar. Seria necessário analisar o perfil dos emigrados do Brasil, as regiões de origem, as motivações, etc., para se ter uma explicação global do fenômeno.

O que se sabe é que há um conjunto de fatores. Um deles é o sonho (ou a ilusão) de se dar bem no chamado primeiro mundo. As distorções do capitalismo mundial, mais do que em qualquer outro momento, produzem e justificam a maioria dos fluxos migratórios não só do Brasil, mas de todo o sul para o norte do planeta. E a Espanha não é exceção. Fatores como os preços relativamente acessíveis das passagens para este país – se comparados com outros países europeus -, ainda mais num período de valorização do real; a ausência de visto para a entrada; o aumento do controle migratório em outros países tradicionalmente receptores de brasileiros, como Inglaterra, Portugal e Itália, forçando um desvio de rota; e a política de regularização de imigrantes são justificantes importantes. Periodicamente, a Espanha põe em marcha um plano de regularização de imigrantes indocumentados. Só em 2006, o governo regularizou mais de 600 mil pessoas. Isso, sem dúvida, é um atrativo relevante.

Mas...com a palavra os especialistas em ciências sociais.

Carta de minha amiga Maria Sueli, da Bélgica

29 de Março
Um e-mail revelador de uma amiga que vive na Bélgica, emigrada do Brasil por conta da ditadura, comentando e refletindo sobre o Velho Continente nestes tempos de fluxos migratórios constantes. Tendo como ponto de partida o quanto ocorrido no show em Madri e os comentários dos internautas a uma matéria minha sobre o fato, ela assim escreve:

“Oi Luciano, rapaz, que desespero! Nem posso fazer como Chico Buarque, em tempos idos, e pedir pro meu amor chamar o ladrão, e me livrar do pesadelo da policia que esta chagando. O conteúdo da maioria das opiniões emitidas me espanta muito. E só não me dá tristeza, porque me dá raiva – porque depressão é coisa muito chata e acaba com o pouco de beleza que a idade me deixa desfrutar!

Vivo na Bélgica desde 1974. Aqui cheguei fugida da policia : primeiro a do Brasil (1972), depois a do Chile (1973). Aqui fui ficando... ficando, e... fiquei. Fiz duas crianças, tenho dois netos. Amei e amo muito, trabalhei e trabalho muito...

Sem nostalgia, posso dizer que a Europa de 2008 não é a mesma que me acolheu de 1974. O ódio ordinário, cotidiano e rampeiro contaminou de novo o Velho Continente. A democracia, fundada na separação dos três poderes, esta se esvaziando. A mídia está ocupada pelos donos das grandes empreiteiras transnacionais. As crianças e os velhos (pratico-psicanálise com criança em serviço publico), estão sofrendo pra danar da ausência, cada dia maior,de um Estado capaz de regular as relações entre os donos do dinheiro e os que vivem do trabalho.

A estes ultimos, só sobra funcionar como os primeiros: pra onde vai o dinheiro, eles vão tambem. E por que não? Alguém pode justificar? Êta vida Severina!

Conheço aqui na Bélgica muito Severino Irregular. Muita Severina Irregular. Alguns não têm nem mesmo uma cova, como parte do Latifundio Global, onde cairem pra viver. Outros têm casa, cova e outras coisas mais no Brasil, mas vieram tentar a vida por aqui.

Todos trabalham, amam, comem, bebem, cagam, dormem, fazem filhos, que dão certo ou errado...na Patria onde estão. Muitos gostam de musica e alguns gostam de dançar em discoteca.
Olha gente, Trabalhador Irregular que vai dançar não é caso de policia! Trabalhador Irregular é só um dos nomes da Miséria Capitalista Financeira. Os que a estão parindo, não sofrem controle de documento de identidade nem batida de policia. Vivem em perfeito anonimato. Tambem não são ofendidos pelos Moralistas Anônimos de serviço.

Recado pros aspirantes a turista: elevem o nivel do debate! Caso contrario , os museus e salas de concerto do primeiro mundo vão acabar fechando as portas pra tanta feiura.

Um abraço brasileirinho.(Maria Sueli Peres)”

Qualquer ulterior comentário, diante de tanta lucidez e profundidade desse e-mail, seria pleonasmo barato. Só cabe silêncio e reflexao.

Publicado no blog Pimenta na Muqueca (II)

Em 03 de abril de 2008

"Brasil e Espanha: um freio à guerra de deportações"

Essa foi a manchete da reportagem do jornal El Diario, referindo-se ao acordo ajustado entre Brasil e Espanha no tocante ao problema das deportações. Nessa mesma tônica, os demais meios de comunicação se manifestaram sobre o assunto.

O jornal El Mundo, em uma análise extensa do problema, considerou o encontro bilateral como uma "hoja de ruta" ou um road map for peace (expressão usada para designar o plano de paz entre palestinos e israelenses em 2002) fixado pelos dois países para superar a crise das retenções.

Conferir toda a matéria Aqui.