terça-feira, 29 de abril de 2008

Lula em céu de brigadeiro

Charge - Amarildo (copiada do blog do Noblat)
O homem tá parecendo a massa de pao: quanto mais bate, mais cresce! Só resta à oposiçao mudar de estratégia.

Totò, Peppino e la Malafemmena

Esse é o título de um dos melhores filmes de Totò, que foi, pra mim, o maior cômico de todos os tempos. Suas piadas, seu dialeto napoletano, suas improvisaçoes...o tornam único. Uma pena que nós nao conhecemos esse mestre da comédia! Seleciono aqui algumas cenas tiradas de Youtube.

Totò, Peppino e la Malafemmina conta a história da família Capponi, moradora da zona rural do sul da Itália. Gente simples, caipira, que desconhece a cidade grande. Um dia, Gianni, sobrinho dos irmaos Capponi (Totò e Peppino), abandona seus estudos, sua mae, o vilarejo pra ir atrás de Marisa, uma bailarina que se dirige a Milao em tourné. Os tios, entao, resolvem partir em busca do rapaz. E aí começam as aventuras.

Três cenas se destacam pelo esplendor da improvisaçao e da graça. A primeira, quando chegam na estaçao de trem de Milao,vestidos como russos, porque achavam que, em Milao, sempre fazia frio e sempre havia névoa (como havia dito o amigo Mezzacappo). Famosa a frase de Totò, quando perguntado por Peppino onde estava a névoa....relembrando que Mezzacappo dissera que "quando há névoa em Milao, nao se vê", ele diz: "La nebbia c`è, ma non si vede!" Confira aqui.

A segunda, é a cena em que Totò e Peppino se aproximam de um guarda de trânsito, na praça do Duomo, crendo que ele é um general austríaco, pelo modo de vestir e de falar (com acento milanês) e lhe perguntam: "Para ir aonde devemos ir, aonde devemos ir. É uma simples informaçao". Como toda traduçao tem um pouco de traiçao, em português perde um pouco da graça: "Per andare dove dobbiamo andare, dove dobbiamo andare. È una semplice informazione." Confira clicando aqui.

A terceira é melhor de todas. Totò dita a Peppino a carta que os dois vao entregar à namorada do sobrinho. Inigualável. Conta-se que foi improvisada. É simplesmente maravilhosa. Confira aqui: Clique.

O brasileiro e o mercado de trabalho espanhol

Publicado originalmente, no Jornal A Regiao

Em termos gerais, os setores profissionais que mais empregam imigrantes na Espanha sao os de serviços e a construção civil, seguidos pela indústria e agricultura. Entretanto, há uma variedade interessante em função da nacionalidade. Geralmente, os originários da União Européia estão inseridos no setor financeiro e comercial, ou no desempenho de profissões liberais. Já entre os latino-americanos predominam a hotelaria, o serviço doméstico, trabalhos em bares, restaurantes e na construção civil, ou seja, atividades que não exigem especial qualificação.

Os brasileiros, em sua imensa maioria, “pegam no pesado”, ou seja, trabalham na construçao civil e nos serviços, salvo algumas exceções. Aliás, segundo a Associação Nacional de Empresários e Profissionais Autônomos (ANEP), 96% dos brasileiros trabalham nesses dois setores. Geralmente, quem está documentado não encontra demasiadas dificuldades pra achar um emprego num restaurante, loja, hotel, casa de família ou na “obra”. Quem, pelo contrário, não possui documentos regulares passa dificuldades importantes. Além de se submeter a jornadas rigorosas e remuneração mais baixa, ainda fica exposto à exploração. É o pessoal que, em Madri, é simbolizado pela conhecida “Praça Elíptica”. Nesse lugar cêntrico da cidade, ponto de saída para o sul da capital, na rodovia que leva a Toledo, todo santo dia pela manhã uma multidão de imigrantes indocumentados abarrotam as calçadas esperando os recrutadores de mão-de-obra barata. É o ambiente certo pra conhecer histórias de milhares de trabalhadores brasileiros.

Eu, pessoalmente, conheço alguma delas, de gente que chega a trabalhar 13 horas por dia num canteiro de obras; de meninas diaristas que suportam o inimaginável limpando casas; de garçons e garçonetes que dormem apenas algumas horas por dia. Mas, também conheço pessoas que estão confortáveis. E não falo dos brasileiros ricos dos bairros de Las Rozas e Majadahonda: empresários, funcionários de bancos, embaixada, consulado. Falo de gente que, após três/quatro anos, conseguiu se estabilizar e ter uma vida tranquila.

Em geral, ganha-se um pouco mais do que o salário mínimo espanhol, 600 euros, numa jornada de oito horas. Mas, levando-se em conta o custo de vida, dificilmente a remuneração mínima legal permite chegar com tranquilidade ao fim do mês. Moradia é, sem dúvida, o que mais pesa. Em Madri, por exemplo, o aluguel de um apartamento não sai por menos 700/800 euros. A solução é dividir. É comum encontrar 7, 8, até 10 pessoas num apartamento. Ou mais. A ONG SOS Racismo já denunciou ter encontrado casas de 25 metros quadrados, divididas por 20 pessoas. Sao as “casas-balsas”. Há também a prática de alugar apenas a cama. É o que se denomina aqui de “cama caliente”. São colchões alugados por tempo, turnos normalmente de 12 horas, que vão das 8h às 20h e das 20h às 8h. Parece mentira, mas não é. Quem trabalha durante o dia aluga a cama pra outro que trabalha à noite. Ganhou esse apelido de “cama quente” porque nunca dá tempo de esfriar. São os “severinos” do tal primeiro mundo, vivendo sua vida também “severina”.

E agora que a Espanha já sofre os efeitos da crise americana, com a desaceleração econômica, especialmente do setor imobiliário, com um prognóstico de crescimento de 2% para 2008, a situação do mercado de trabalho para os imigrantes não parece sinalizar para melhoras. De fato, acaba de sair um dado preocupante, divulgado pela Confederação Espanhola de Organizações Empresariais (CEOE),: calcula-se que 1 milhão de estrangeiros perderão seus postos de trabalhos até o fim de 2009 por culpa da crise, especialmente nos setores de serviço e construção. Só deste último setor, haverá entre 600 mil e 800 mil novos desempregados, sendo 95,5% deles imigrantes. Essa previsao parece, de fato, ter um fundamento sólido, pois o Ministério do Trabalho tornou público, recentemente, que, nesses primeiros meses de 2008, houve um aumento de 92,1% de desempregados imigrantes no setor da construção em relação ao mesmo período do ano passado. Na agricultura, a taxa foi de 139,5%.

Os reflexos da crise, inclusive, já teriam refletido no próprio fluxo migratório, a deduzir pela leve queda na taxa de imigrantes. Já para aqueles que perderao seus empregos, a soluçao será o caminho de casa. O governo socialista vai estimular a repatriaçao voluntária, até mesmo oferecendo passagem de ida.

Assim, quem estiver com pretensão de embarcar na aventura de trabalhar fora do Brasil, “sin papeles”, sobretudo na Espanha, que pense bem. Esqueça, principalmente, que vai ter vida fácil e, em pouco tempo, ganhar muito dinheiro. Só vale a pena mesmo se for com contrato regular de trabalho. Do contrário, é como dizia Cazuza: “dias sim, dias não, eu vou sobrevivendo sem um arranhão, da caridade de quem me detesta”.

Os números da imigraçao brasileira na Espanha

Texto publicado originalmente no Jornal A Regiao, de Itabuna, Bahia.

Em poucas décadas, a Espanha passou de ser um país de emigrantes para ser receptor de um intenso fluxo migratório. Segundo o Censo 2007 do Instituto Nacional de Estadística-INE (organismo oficial encarregado de coordenar os serviços estatísticos da administração do Estado), um percentual de 9,1% da população espanhola são de imigrantes. São nada menos que 4.519,6 pessoas. Deste universo, 44,81% estão concentrados em apenas três províncias: Madri, Barcelona e Alicante.

Ao contrário de França, onde 10% da população são de nacionalidade argelina, ou Alemanha, cujo predomínio é dos turcos, a imigração espanhola é bastante variada, estando dominada, em primeiro lugar, pelos países da própria Comunidade Européia e, em segundo, pelos ibero-americanos. De fato, segundo a Secretaria de Estado para Imigração, dos estrangeiros com permissão de residência, 38% são europeus comunitários, e 30% são latino-americanos. Os campeões, no entanto, na classificação por nacionalidades, são os marroquinos (16,31%), seguidos pelos romenos (15,18%), equatorianos (9,95%), colombianos (6,39%), britânicos (4,99%), búlgaros (3,19%), italianos (3.14%), chineses (3.01%), peruanos e portugueses, ambos na casa dos dois por certo. Estas dez nacionalidades representam 67,64% do total de estrangeiros com autorização de residentes na Espanha, no final de 2007.

Quanto aos brasileiros, o número daqueles que têm apenas permissão de residência está na casa de 39.160 pessoas, de acordo com os dados de 2007. Entretanto, levando-se em consideração o Censo 2007, do Instituto de Estatística, esse número sobe para 90.161. A diferença tem explicação no fato de que, nos dados da Secretaria de Estado para a Imigração, não se leva em conta o número de “empadronados”. Este “empadronamiento” é imprescindível para matricular os filhos na escola e ter acesso ao sistema público de saúde, e se trata de um procedimento mediante o qual a pessoa se inscreve, na prefeitura, como moradora do município no qual se encontra. De acordo com os números do censo, cuja pesquisa é bem mais ampla, o Brasil ocupa o 15º lugar no ranking do fluxo migratório para a Espanha, ficando em 6º, considerando-se apenas a América Latina. Perde apenas para Equador, Colômbia, Argentina, Bolívia e Peru.

Os dados disponibilizados pelos INE revelam que o crescimento da população imigrante brasileira se deu num ritmo consideravelmente lento até 2002.

Ano Pessoas
1998 6.709
1999 8.332
2000 11.126
2001 17.078
2002 23.719

No entanto, a partir daí, houve um aumento acentuado do fluxo migratório, que chegou ao patamar de 72.441 pessoas, em 2006, e 90.161, em 2007. Em termos percentuais, isso significa um aumento de 380% entre 2002 e 2007. Mas o número real, entre documentados e indocumentados, pode chegar a mais de 130 mil brasileiros, segundo o Consulado Geral do Brasil em Madrid.

Um dado interessante que merece ser destacado é a questão do gênero. Há um predomínio enorme, no caso brasileiro, da presença feminina. A imensa maioria dos imigrantes brasileiros está constituída por mulheres. É algo em torno de 66%, ou 54.598 mulheres, contra 35.563 homens. Esse é um dado que merece ser objeto de pesquisa.

Também o é o crescimento do fluxo a partir de 2002. Afinal, o que explica esse aumento vertiginoso da saída de brasileiros para a Espanha entre 2002 e 2007, em pleno governo Lula? Não deixa de ser um fato intrigante, uma vez que tem lugar justamente num período de recuperação econômica, controle inflacionário, forte geração de empregos, importante valorização dos salários, implementação de políticas públicas de grandes impactos sociais, aumento do crédito, etc. Não é uma resposta simples de dar. Seria necessário analisar o perfil dos emigrados do Brasil, as regiões de origem, as motivações, etc., para se ter uma explicação global do fenômeno.

O que se sabe é que há um conjunto de fatores. Um deles é o sonho (ou a ilusão) de se dar bem no chamado primeiro mundo. As distorções do capitalismo mundial, mais do que em qualquer outro momento, produzem e justificam a maioria dos fluxos migratórios não só do Brasil, mas de todo o sul para o norte do planeta. E a Espanha não é exceção. Fatores como os preços relativamente acessíveis das passagens para este país – se comparados com outros países europeus -, ainda mais num período de valorização do real; a ausência de visto para a entrada; o aumento do controle migratório em outros países tradicionalmente receptores de brasileiros, como Inglaterra, Portugal e Itália, forçando um desvio de rota; e a política de regularização de imigrantes são justificantes importantes. Periodicamente, a Espanha põe em marcha um plano de regularização de imigrantes indocumentados. Só em 2006, o governo regularizou mais de 600 mil pessoas. Isso, sem dúvida, é um atrativo relevante.

Mas...com a palavra os especialistas em ciências sociais.

Carta de minha amiga Maria Sueli, da Bélgica

29 de Março
Um e-mail revelador de uma amiga que vive na Bélgica, emigrada do Brasil por conta da ditadura, comentando e refletindo sobre o Velho Continente nestes tempos de fluxos migratórios constantes. Tendo como ponto de partida o quanto ocorrido no show em Madri e os comentários dos internautas a uma matéria minha sobre o fato, ela assim escreve:

“Oi Luciano, rapaz, que desespero! Nem posso fazer como Chico Buarque, em tempos idos, e pedir pro meu amor chamar o ladrão, e me livrar do pesadelo da policia que esta chagando. O conteúdo da maioria das opiniões emitidas me espanta muito. E só não me dá tristeza, porque me dá raiva – porque depressão é coisa muito chata e acaba com o pouco de beleza que a idade me deixa desfrutar!

Vivo na Bélgica desde 1974. Aqui cheguei fugida da policia : primeiro a do Brasil (1972), depois a do Chile (1973). Aqui fui ficando... ficando, e... fiquei. Fiz duas crianças, tenho dois netos. Amei e amo muito, trabalhei e trabalho muito...

Sem nostalgia, posso dizer que a Europa de 2008 não é a mesma que me acolheu de 1974. O ódio ordinário, cotidiano e rampeiro contaminou de novo o Velho Continente. A democracia, fundada na separação dos três poderes, esta se esvaziando. A mídia está ocupada pelos donos das grandes empreiteiras transnacionais. As crianças e os velhos (pratico-psicanálise com criança em serviço publico), estão sofrendo pra danar da ausência, cada dia maior,de um Estado capaz de regular as relações entre os donos do dinheiro e os que vivem do trabalho.

A estes ultimos, só sobra funcionar como os primeiros: pra onde vai o dinheiro, eles vão tambem. E por que não? Alguém pode justificar? Êta vida Severina!

Conheço aqui na Bélgica muito Severino Irregular. Muita Severina Irregular. Alguns não têm nem mesmo uma cova, como parte do Latifundio Global, onde cairem pra viver. Outros têm casa, cova e outras coisas mais no Brasil, mas vieram tentar a vida por aqui.

Todos trabalham, amam, comem, bebem, cagam, dormem, fazem filhos, que dão certo ou errado...na Patria onde estão. Muitos gostam de musica e alguns gostam de dançar em discoteca.
Olha gente, Trabalhador Irregular que vai dançar não é caso de policia! Trabalhador Irregular é só um dos nomes da Miséria Capitalista Financeira. Os que a estão parindo, não sofrem controle de documento de identidade nem batida de policia. Vivem em perfeito anonimato. Tambem não são ofendidos pelos Moralistas Anônimos de serviço.

Recado pros aspirantes a turista: elevem o nivel do debate! Caso contrario , os museus e salas de concerto do primeiro mundo vão acabar fechando as portas pra tanta feiura.

Um abraço brasileirinho.(Maria Sueli Peres)”

Qualquer ulterior comentário, diante de tanta lucidez e profundidade desse e-mail, seria pleonasmo barato. Só cabe silêncio e reflexao.

Publicado no blog Pimenta na Muqueca (II)

Em 03 de abril de 2008

"Brasil e Espanha: um freio à guerra de deportações"

Essa foi a manchete da reportagem do jornal El Diario, referindo-se ao acordo ajustado entre Brasil e Espanha no tocante ao problema das deportações. Nessa mesma tônica, os demais meios de comunicação se manifestaram sobre o assunto.

O jornal El Mundo, em uma análise extensa do problema, considerou o encontro bilateral como uma "hoja de ruta" ou um road map for peace (expressão usada para designar o plano de paz entre palestinos e israelenses em 2002) fixado pelos dois países para superar a crise das retenções.

Conferir toda a matéria Aqui.

Publicado no blog do Noblat

Polícia espanhola caça brasileiros em situação irregular
23.03.2008

De Luciano Reis Porto no blog Pimenta na Muqueca:

Como se sabe, a Espanha recrudesceu o seu controle sobre os brasileiros que chegam ao país. Já é mais de 1.000 o número de barrados no Aeroporto Internacional de Barajas (Madri) nestes três primeiros meses do ano. É mais de um terço dos retidos em todo o ano de 2007 - algo em torno de 3000 pessoas, segundo o Consulado Geral do Brasil em Madri.

Mas, como se não bastassem o extremado e injustificável endurecimento das autoridades espanholas, os reiterados relatos de vexações, humilhações, maus-tratos; como se não bastasse a ocorrência de situações que beiram ao cárcere privado, uma vez que pessoas estão passando horas e horas trancadas, sem comunicação e sem comida e água...agora parece que começou uma verdadeira caça às bruxas!

Conferir texto completo Clique.

Do blog Pimenta na Muqueca (I)

Brasileiros barrados na Espanha: agora, sim, começou a repercutir

18 de março de 2008

Já faz algumas semanas que a mídia brasileira começou a por em evidência a situação preocupante dos brasileiros que chegam à Espanha, em virtude do rigor imposto pelas autoridades locais no controle de chegada. O número de brasileiros barrados no Aeroporto Internacional de Barajas (Madri), desde o início do ano, soma já mais de 1.000, segundo dados do Consulado-Geral do Brasil.

Matéria completa, conferir aqui.

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Poeta Chico

Futuros Amantes
Chico Buarque

Não se afobe, não
Que nada é pra já
O amor não tem pressa
Ele pode esperar em silêncio
Num fundo de armário
Na posta-restante
Milênios, milênios no ar.

E quem sabe, então
O Rio será
Alguma cidade submersa
Os escafandristas virão
Explorar sua casa
Seu quarto, suas coisas
Sua alma, desvãos.

Sábios em vão
Tentarão decifrar
O eco de antigas palavras
Fragmentos de cartas, poemas
Mentiras, retratos
Vestígios de estranha civilização

Não se afobe, não
Que nada é pra já
Amores serão sempre amáveis
Futuros amantes, quiçá
Se amarão sem saber
Com o amor que eu um dia
Deixei pra você.

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Todo mundo vai embora um dia...mas volta!

Faltando duas semanas pra pisar, de novo, o chao de minha terrinha, posto aqui uma música que uma amiga especial me mandou. Há músicas que têm essa magia de parecer que foram feitas pra determinado momento da vida da gente...e que ao ouvi-la provoca aquela catarse impressionante, aquela sensaçao do belo, aquela purificaçao inexplicável da alma.
Chama-se VAI, e é de um grupo de reggae de Brasília chamado ALMA DJEM!
Oferecida com especial ternura, muita saudade e todo o meu imenso amor...à minha família!

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Caminhar sempre


Caminar sempre,
Nao importa como
Sozinho, em par, em ímpar
Carregado, empurrado, obrigado
Alegre, triste, de bem, de mal
No caminho feito, no caminho por fazer
Reto ou em curvas,
Sorrindo ou chorando.

É preciso caminhar,
Juntar as trouchas
Nem que sejam fardos,
Nem que sejam dardos,
Nem que sejam cacos de ilusoes perdidas
De sonhos rotos,
De lágrimas vertidas,
De medos obscuros.

Seguir sempre,
Sendo flores, cores ou dores.
Seguir sempre,
Com a razao,
Com o coraçao,
Com os pés ou as maos.

Porque...o vento sopra,
A chuva cai,
O sol aparece
O dia nasce
As folhas secam
A noite vem
A lua mingua, cresce, enche
A música começa
O show termina.
O vizinho se casa
Os amantes se encontram
O ex-amor é amor de outro.


Tudo continua movimento
Tudo segue sendo.
O tempo nao pára
Ainda bem...a vida nao pára.

Luciano Reis Porto

domingo, 18 de novembro de 2007

Política II





Núcleo do PT Madri e CUT discutem cooperação sobre os trabalhadores imigrantes na Espanha


Política I




Ato de lançamento do Núcleo do PT Madri, em 26 de junho de 2007


Fragmentos do mestre Elomar

“Sonho que na derradeira curva do caminho
Existe um lugar sem dor, sem pedras, sem espinhos
Mas, se de repente, lá chegando eu nao encontrar,
Seguirei em frente, caminhando a procurar.

Caminando eu vou nesta estrada sem fim/
Levando meu mocó de saudade e esperanças
Que a vinda juntou pra mim”. (Cavaleiro do Sao Joaquim)
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“Já tá fechano sete tempo que minha vida é caminhar, púlas istradas do mundo Dia e noite sem parar/ já visitei os sete reinos adonde eu tinha que cantar.........!
Tô de volta, já faz tempo que deixei o meu lugar/ Isso se deu quando moço que eu saí a percurá/ ......Lá no céu vejo a lua nova, companhia do istradar” (Cantiga de istradar)
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“Bem de longe na grande viagem, sobrecarregado, páro a descansar.
Emergi de paragens ciganas, pelas maos de Elmana, santas como a luz
E em silêncio contemplo, e entao mais nada a revelar.
Fatigado e farto de clamar às pedras, de ensinar justiça ao mundo pecador.

Ó lua nova, quem me dera, eu me encontrar com ela
No pispei de tudo, na quadra perdida, na manha da estrada
E começar tudo de novo”.
(A meu Deus um canto novo)
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"Lá na Casa dos Carneiros onde os violeiros/vão cantar louvando você
em cantiga de amigo, cantando comigo/somente porque você é
minha amiga mulher/lua nova do céu que já não me quer.

Dezessete é minha conta/vem amiga e conta/ uma coisa linda pra mim,
conta os fios dos seus cabelos,/ sonhos e anelos/ conta-me se o amor não tem fim
madre amiga é ruim,/ me mentiu jurando amor que não tem fim.

Lá na Casa dos Carneiros, sete candeeiros/ iluminam a sala de amor
sete violas em clamores, sete cantadores/ são sete tiranas de amor,
para amiga em flor/ qui partiu e até hoje não voltou.

Dezessete é minha conta/ vem amiga e conta uma coisa linda pra mim,
pois na Casa dos Carneiros, violas e violeiros/ só vivem clamando assim:
madre amiga é ruim/ me mentiu jurando amor que não tem fim".
(Cantiga de amigo)

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Mâos - uma metáfora


Acredito que a "mao" seja a metáfora de todas as vicissitudes humanas, quer sejam belezas, quer sejam feiuras. Com ela agimos, com ela fazemos ou desfazemos!! É a mao que abre a porta ao amigo e o traz ao abraço; é a mao que afaga o rosto da amada ou do amado, do filho, do pai e da mae queridos; é a mao que amassa o pao, que lavra a terra, que faz o aviao; é a mao que enxuga a lágrima (nossa ou do outro), faz o verso, faz o texto, parte e reparte o fruto; é a mao que quebra os grilhoes, derroca o "rei"...embora também seja a que aperta o gatilho, lança a pedra, desfere o golpe, usa o açoite.

De qualquer forma, nao há como viver sem a metáfora-mao, ou mao-metáfora. Nao vivemos sem o quê nos motive, empurre, incentive, puxe. Precisamos sempre de uma "maozinha", às vezes mais, às vezes menos. Mas, sempre...pra acertar a estrada, pra reavivar a esperança, pra confirmar os planos, pra construir os sonhos. Da mao do estranho que lhe doa uma moeda depende o cantor do metrô; das maos da platéia depende o aplauso efusivo que dá vigor à alma do artista; das maos de seus pais dependem os primeiros, os segundo e os terceiros passos do filho; das maos do operário as cidades se elevam; das maos do poeta se faz o poema; das maos do maestro a orquestra se harmoniza; das maos dos amantes o amor toma forma. Com as maos construímos nosso (micro) (macro) mundo.

Por isso, um "rabisco de poema" dedicado às maos (feito num tempo de grande vivência desta metáfora).

NOSSAS MÃOS

Mãos que se vêem/ mãos que se crêem
Mãos que se encontram/ mãos que se reencontram
Mãos que se anunciam/ mãos que acariciam
Mãos que são beijo/ mãos que são desejo

Mãos que se enlaçam/ mãos que se entrelaçam
Mãos que se enfeitam/ mãos que se respeitam
Mãos que se cuidam/ mãos que se ajudam
Mãos que se doam/ mãos que se entoam

Mãos que se cansam/ mãos que se descansam
Mãos que se falam/ mãos que se calam
Mãos que são choro/ mãos que são consolo
Mãos que calejam/ mãos que alvejam.

Mãos que são bondade/ mãos que são saudade
Mãos que são dom/ mãos que são som
Mãos que são puras/ mãos que são curas
Mãos que aceleram/ mãos que se esperam

Mãos que se pegam/ mãos que se entregam
Mãos que se unem/ mãos que se fundem
Mãos que se chamam/ mãos que se AMAM.

Mãos na vida
Mãos nos sonhos
Mãos na lida.

Mãos aqui e acolá
No céu, na terra,
No mar e no caminhar.

Mãos... Vestidas ou nuas
Nossas mãos.
A MINHA e a TUA.

(LUCIANO REIS PORTO)

Direitos Humanos, desejos humanos

Leonardo Boff

Boaventura Souza Santos, eminente da Sociologia do Direito









"Derechos humanos" é a linha de pesquisa do mestrado em Direito da Universidade Carlos III de Madri (http://www.uc3m.es/). O Instituto Bartolomé de las Casas é o responsável pela organizaçao e conduçao do curso, que é parte integrante do Doutorado em Direitos Fundamentais.

A marca especial do curso é seu enfoque jusfilosófico (embora nao se descuide da abordagem desde a perspectiva do direito internacional). Figuras como Gregório Peces-Barba, Perez-Luño, Eusébio Fernandez, Elias Díaz, históricos representantes da filosofia do direito espanhol, sao presenças constantes, além de professores-visitantes de fora como Boaventura de Souza Santos, Leonardo Boff, Mario Losano, Ronald Dworkin (este, talvez, o mais destacado e seguido jusfilósofo atualmente vivo).

Contudo, todavia, entretanto, há uma quase completa ausência de referências ao pensamento jurídico latino-americano, e muito menos brasileiro. Infelizmente, o ranço eurocêntrico sutilmente (ou nao tanto) resiste. Já surgiu a idéia entre os colegas latinos de fundarmos um grupo que chamaremos de "Pensamento jurídico marginal", pra ser contraponto, pra promover a dialética fecunda da divergência e diversidade de idéias.




"Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos".

(Declaraçao Universal, art. 1º)


quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Numa praça de Madri




A hora de Fênix

Um dia, o dia parou
A luz virou trevas
A terra secou
As folhas caíram
O frio surgiu
O fiorellino murchou

Fez-se inverno, tudo dormiu
Fez-se fardo, tudo pesou
Fez-se dor, tudo tremeu

O andar, que era fácil, ficou triste
O olhar, que era calmo, se fechou
O sentir, que era puro, se turvou
O sorrir, que era simples, nao existe

A certeza, que era firme, virou sorte
A estrada...leste, oeste, sul ou norte
A promessa que era forte e bem marcada
A verdade, que era certa, fez-se nada

Toada sem viola, versos sem rima
Letra sem música de um cego na esquina
Violao sem cordas, música sem tom
Piano sem teclas, melodia sem som

Teve medo do abandono, e ele veio
De quem mais esperava, só um gesto derradeiro
O temor da perda se fez laço e nó
Na hora mais precisada, ficou só

Para o sonho, o real
Para o beijo, fel e sal
Para o tempo, a rua, a cidade,
Lembranças, lágrimas, saudade

E nos cacos das ilusoes rotas, queimou-se
Das chamas, fez súplicas e oraçao
E das cinzas restantes......morte e ressurreiçao!


Luciano Reis Porto

Viagem (Paris - Lisboa - Fátima)


"Viajar? Para viajar basta existir. Vou de dia para dia, como de estação para estação, no comboio do meu corpo, ou do meu destino, debruçado sobre as ruas e aspraças, sobre os gestos e os rostos, sempre iguais e sempre diferentes, como, afinal, as paisagens são. Se imagino, vejo. Que mais faço eu se viajo? Só a fraqueza extrema da imaginação justifica que se tenha que deslocar para sentir. ´Qualquer estrada, esta mesma estrada de Entepfuhl, te levará até ao fim do mundo´.

Mas o fim do mundo, desde que o mundo se consumou dando-lhe a volta, é o mesmo Entepfuhl de onde se partiu. Na realidade, o fim do mundo, como o principio, é o nosso conceito do mundo. É em nós que as paisagens tem paisagem. Por isso, se as imagino, as crio; se as crio, são; se são, vejo-as como às outras. Para que viajar? Em Madrid, em Berlim, na Pérsia, na China, nos Pólos ambos, onde estaria eu senão em mim mesmo, e no tipo e gênero das minhas sensações?

A vida é o que fazemos dela. As viagens são os viajantes. O que vemos, não é o que vemos, senão o que somos". (Fernando Pessoa)

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Ciudades de España

Disse um escritor britânico, cujo nome nao me lembro, que "não se viaja para ir a algum lugar , senão simplesmente para ir". De fato, é assim. Os lugares, as paisagens, as cidades, os monumentos, as obras de arte...tudo isso é fantástico ver. Porém, em minhas andanças, aprendi que o mais importante é ir. O "ir" é mais importante do que o "aonde vamos", definitivamente. Viajar é mesmo um verbo intransitivo! Sair, por-se em marcha, de mochila, comida a saco, alojando-se aonde der...o importante é ir.

Certa vez, numa aula pública, para uma seleçao de professor de filosofia, buscando explicar para a banca examinadora o conceito de vivência, usava a analogia da viagem. Eu posso ler todos os livros sobre certo lugar, que me falem de todos os pontos, ruas, praças, igrejas, museus, etc. Porém, nada substitui um passeio - de dez minutos que seja - nesse mesmo lugar...porque isso é uma vivência, é um estar ali. E viajar é pura vivência. Costumes, histórias, tradiçoes, comidas, símbolos, pessoas.

Por isso, sempre que posso, quando o tempo ($$$) e os compromissos me permitem, dou uma escapada...a pé, de ônibus, de trem, ou aviao (de companhia low cost, claro), sozinho ou acompanhado. Simplesmente, vou. Tenho certeza de que vou voltar com a mala quase vazia pra casa, a nao ser por meus livros. Mas, levarei meus passeios por Madri... a caótica Gran Vía, o Paseo del Prado, o Parque do Retiro, os Jardins Sabatini, a Praça Maior, o 2º andar do Museu Reina Sofia com Picasso e Dalí, o flamenco do Bar La Soleá; levarei a chuva de granizo que me apanhou pelos estreitíssimos becos de Toledo; a caminhada interminável pelas ruas da linda Salamanca, ou las fallas de Valência; a visita à Sagrada Família, em Barcelona; a Plaza Espña, a Catedral e a Torre del Oro, em Sevilha; o ar místico de Santiago de Compostela; a religiosidade de Nossa Senhora de Fátima; o bondinho de Lisboa; os + ou - trinta reais que tive que pagar numa cerveja em Paris...ai que dor no bolso!!! Enfim, uma infinidade de lembranças, idéias e liçoes.

Agora, o mais bonito nisso tudo, sabe o que é? É, no final, ter mais saudade de casa...é ter a certeza de que o seu é o melhor lugar do mundo.

Fotovídeo Itália

Um dos momentos mais emocionantes, desse ano que passou, foi o meu retorno à Itália depois de 10 anos. Reencontrar pessoas e revisitar lugares que fizeram parte de um tempo de minha vida, foi muito especial. Lembranças e saudades revividas!